Quatro coisas que ouvimos em Cannes e que deveríamos lembrar pelo resto do ano

Sejamos honestos: às vezes, conferências são tão cheias de pompa, jargões e siglas que no final, depois de tantos painéis, entrevistas e keynotes, tudo começa a se embaralhar na nossa cabeça. Ainda mais em um festival de cinco dias, como o Cannes Lions.

Mas, vira e mexe, ouvimos algo que fica com a gente. Você sabe, como quando alguém no palco diz aquela frase de efeito e a plateia inteira balança a cabeça concordando e começa a anotar tudo.

Confira, a seguir, quatro destaques do Google Beach no Cannes Lions Festival com potencial de reverberar por muito tempo após o seu fim:

1. Mostre mulheres reais em seus anúncios e fale com mulheres reais em seu plano de mídia

Ukonwa Ojo, SVP para Cover Girl na Coty, fisgou a atenção do público ao falar sobre o relançamento da linha com o objetivo de representar, de forma mais precisa, a vida multidimensional das mulheres. A estratégia não apenas incluía um novo grupo mais diverso de Cover Girls, mas também era sustentada por um plano de mídia que levava em conta os mais variados interesses do público feminino, indo muito além da beleza.

"Não é porque as mulheres adoram a beleza que elas não gostam de outras coisas. A vida delas têm muitas dimensões. Sim, elas são mães, mas também são namoradas. E também adoram cozinhar, malhar e pilotar motocicletas. Elas têm muitos interesses."

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2. Reconhecer que um trabalho eficiente demanda tanto criatividade como tecnologia

Nick Garrett, CEO da Clemenger BBDO, defendeu abandonarmos o velho debate de "criatividade x ciência" difundido na nossa indústria, advertindo que as pessoas podem se esconder atrás da tecnologia e revelando que a chave para o sucesso é permanecermos curiosos.

"A criatividade moderna está na interseção entre arte, ciência, engenharia e design. Pensar que existe conflito entre criatividade e ciência é simplesmente ridículo. Os melhores, mais bonitos e mais eficientes trabalhos do mundo não teriam dado certo se não tivessem reunido essas quatro disciplinas.”

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3. Fuja da armadilha de criar assistentes digitais só porque a tecnologia está disponível

Os assistentes de voz são a nova fronteira para as marcas e Abbey Klaassen, presidente da 360i NY, faz uma comparação entre experiências de voz criadas por marcas e esforços de SEO: "Diferente de uma busca visual, a voz dá uma única resposta. Aí precisamos pensar em como otimizar o conteúdo do cliente para que ele se torne essa resposta". Em resumo, não faz sentido criar um assistente de voz por criar.

"Se você for fazer um assistente de voz, faça um que seja bom. É muito fácil para as marcas dizerem "eu quero porque quero", mas eu acredito que com o tempo elas serão punidas pela má experiência oferecida, como costumamos ver nas avaliações de qualidade dos resultados de buscas."

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4. Abra sua mente para as experiências de marca em realidade aumentada

Com as marcas criando mais experiências em realidade aumentada, os criativos têm a oportunidade de expandir seu processo de criação segundo as variáveis desse universo.

Alfonso Marian, co-chief creative officer da Ogilvy USA, diz: "Precisamos compreender a relação entre objetos físicos e objetos em realidade aumentada, e isso é algo novo. Com a  realidade aumentada, podemos incluir uma nova maneira de interagir: o movimento. E como você precisa agir no mundo real para viver a experiência no virtual, precisamos entender essa relação. O espaço físico agora também faz parte das interfaces de usuário".

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