Jogando a real: game pode ser tudo

A galera está usando os personagens pra criar novos conteúdos e narrativas que ajudam a expandir o universo do jogo.

Para os verdadeiros amantes dos games, a fantasia e a realidade viram uma coisa só. O game não tem mais começo, meio e fim. Ele é o que as pessoas fazem dele. E, quase sem querer, acabou gerando também um consumo ainda mais ampliado.

Um novo jeito de contar histórias // Minisséries

Imagina se você pudesse interferir nas novelas que assiste na TV. Nossa, ia aparecer cada história. E é isso que acontece com os videogames hoje em dia. Agora os gamers são os escritores. E os personagens do jogo são os protagonistas. Essa é a galera que usa a realidade virtual pra criar narrativas com enredos e conflitos. Dá pra fazer vários episódios e garantir que o público volte sempre ao canal pra acompanhar o desfecho. O pessoal do AuthenticGames usa os personagens do Minecraft pra criar suas histórias, e os próprios jogadores fazem as vozes. A série Namorada Perfeita, inspirada em How I Met Your Mother, tem 9 episódios que somam mais de 20 milhões de views. O canal também lançou A Vida de Creeper, que mostra o dia a dia do mob mais malvado do Minecraft.

Fantasia não é só no carnaval // Cosplay

Já aconteceu de você estar andando na rua e encontrar a Zelda, o Mario e o Luigi? Se não é Carnaval fora de época, é bem capaz que você tenha cruzado com um cosplay a caminho de uma convenção. Sabe aquele pessoal que se veste e atua como seus personagens favoritos? O curioso é que a palavra cosplay significa “brincar de fantasia” (costume + play), mas na vida real a galera não está pra brincadeira! Os cosplays invadiram as feiras e eventos, como o Brasil Game Show e a Comic Con Experience. Vale até tirar foto - só é bom tomar cuidado quando chegar perto dos vilões.

O cosplay virou uma forma poderosa de expressão social. Saiu da cultura dos games e entrou para a cultura geral.

Mas não é só colocar fantasia e maquiagem. A galera está criando uma nova comunicação pra sua identidade. Muitas vezes, é bem mais fácil mostrar quem a gente é de verdade pelo comportamento de um personagem. Quem vê de fora pode não compreender muito bem, mas quem participa entende logo a moral da história: é usar o personagem pra ser mais você.

Brincando de ser eu mesmo

O que você quer ser quando crescer? E a gente falava: médico, advogada, professor, dançarina. E hoje, o que as crianças estão respondendo? Quando eu crescer, quero ser um YouTuber. Elas nem se ligaram ainda no que isso significa, mas a motivação para esse desejo é autêntica. Ser um criador de conteúdo no YouTube é poder brincar de ser quem você é. E, mais do que isso, é poder transitar em modos de ser. Gamer hoje, professor amanhã. Engenheira e fotógrafa de plantas no ano que vem. São pessoas reais que exploram suas identidades e fazem disso mais do que um trabalho: é um estilo de ser e estar no mundo. Sem se enquadrar em profissões ou definições. E sem medo de que amanhã tudo mude.

Pra jogar com o futuro, anote esse password: não tenha medo de se reinventar.

Dos jogos para as ruas // Paródias da vida real

Se os cosplays ficam nos eventos e convenções, também tem uma galera que leva os games para as ruas mesmo. O clima é de zoação e o vencedor é aquele que consegue mais risadas. O comediante francês Rémi Gaillard uma réplica exata do Mario Kart e saiu dirigindo por uma via cheia de carros.

Algumas empresas se ligaram no movimento e já estão criando seus próprios conteúdos. A versão mobile do Pokémon GO! lançou uma nova experiência pra pegar, trocar e fazer batalhas com os Pokémons usando a localização dos jogadores. No vídeo de divulgação, eles colocaram os Pokémons no mundo real. Passou nos telões da Times Square.

Tudo ao mesmo tempo // Riff offs

Sabe o que faz a fama de alguns dos criadores de conteúdo mais bem-sucedidos do YouTube? Os riff offs, aqueles vídeos que fazem uma colagem de memes, paródias e tudo o que tem a ver com humor da internet. Vale não só para os games, mas também para música e entretenimento. O resultado? Um fenômeno da web. De novo o PewDiePie é um ótimo exemplo. Ele faz centenas de vídeos sobre jogos, mas quem assiste não tá muito interessado em aprender as estratégias. O que faz a diferença são os comentários engraçados, a edição rápida, a trilha sonora que entra na hora certa... Tudo em nome da zueira.

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Os games não estão pra brincadeira: Esse universo já inspira novas formas de criar conteúdo. E não só as empresas de jogos podem aproveitar a criatividade do público pra se conectar com a galera.
A dica certa para aprender qualquer jogo