De um lado, um verdadeiro tsunami digital está redesenhando o setor de telecom. De outro, a crise econômica. Nesses cenários, torna-se essencial acompanhar a revolução do consumidor, criar modelos de negócio que monetizam esses novos comportamentos e usar o digital para trazer eficiência operacional e construir sólidas vantagens competitivas. Digitalizar é o caminho.

Publicado
Outubro 2015
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    Em dez anos, 40% das companhias do ranking Fortune 500 (S&P) deixarão de existir. Elas serão engolidas pelo avanço das chamadas tecnologias disruptivas, que crescem em escala exponencial. Para não desaparecer no rastro das grandes transformações tecnológicas, as empresas precisam se adaptar à nova realidade de hoje e a que está por vir. Foi com esse tom que Mônica de Carvalho, diretora de Negócios do Google Brasil, começou o Think with Google Telecom 2015. Estamos vivendo uma mudança frenética e comportamental na nossa relação com as tecnologias e, ao mesmo tempo, passando por uma crise no país. O setor de telecomunicações é um dos que mais têm enfrentado desafios para se manter competitivo no mundo e no Brasil. Entender essas transformações e acompanhar a evolução da tecnologia tornou-se primordial.

    O evento, realizado no final de setembro, no Museu Brasileiro de Escultura (MuBE), em São Paulo, reuniu executivos de diversas empresas do setor. Segundo Fabio Coelho, diretor-geral do Google Brasil, as operadoras de telecom têm um papel importante na construção de uma democracia, com maior acesso, conectividade e colaboração. A função da tecnologia é levar mais relevância e eficiência às empresas.

    A digitalização dos micro-momentos

    Mas antes de digitalizar, as operadoras de telecom precisam entender as necessidades do consumidor nos seus micro-momentos. É o que disse Jon Kaplan, vice-presidente de Vendas do Google dos Estados Unidos. Segundo ele, as marcas precisam aprender a interpretar o que acontece nesses diversos micro-momentos que ocorrem principalmente nos smartphones.

    98% das companhias não se preparam para identificar, medir e entregar nos micro-momentos dos seus clientes e potenciais consumidores.

    Um experimento feito pelo Google dos Estados Unidos acompanhou por quase dois meses uma jovem chamada Amy, que concordou em compartilhar todo o seu comportamento digital. O resultado é que ela teve quase 19 mil momentos, que incluiu entretenimento, jogos, social, relacionamentos, entre outros. Multiplique essa única pessoa por um milhão ou um bilhão. Esse é o tamanho das oportunidades que as marcas têm para alcançar esses consumidores.

    Toda essa informação junta gera uma quantidade gigantesca de dados, que, uma vez interpretados, direcionam as estratégias das companhias. Segundo Patricia Muratori, head da indústria de Telecom do Google Brasil, quem entende o Big Data é capaz de atender melhor o consumidor. E como o brasileiro é um dos povos mais conectados do mundo é também um dos que mais produz dados.

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    Mas onde estão os consumidores de maior valor para a indústria? Um estudo do Google com a Provokers mostrou que o Nordeste é a região do Brasil com maior uso avançado de consumo de dados no smartphone, enquanto o Sul é a região de menor uso.

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    A questão é que poucas operadoras de telecom sabem usar o big data, segundo avaliação do consultor Jacques Bughin, sócio-diretor da McKinsey & Company. Ele ressaltou a necessidade de acelerar a digitalização das teles não somente do ponto de vista de suas estruturas mas também de seus processos. Segundo Jacques, o crescimento da receita, a margem EBTIDA e o fluxo de caixa do setor de telecomunicações estão caindo. Em 2012, 21% das operadoras no mundo registraram crescimento de margem de fluxo de caixa livre. Em 2014, esse número caiu para 14%. Um dado perturbador é que uma em cada quatro operadoras de telecom no mundo enfrenta problemas.

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    Mudando tudo

    Uma lição vem da Espanha, quando a crise vivida pelo país levou as empresas de telecomunicação a uma imensa transformação. Atualmente, 35% de todas as vendas do mercado espanhol de telecom são feitas no digital, o e-commerce cresce 30% anual, 87% das informações pesquisadas pelos consumidores são online e 30% das vendas no digital são via smartphone. Segundo Javier Fernández Saavedra, head da indústria de Telecom do Google Espanha, o mercado espanhol aprendeu que quanto mais cedo se adota uma mudança, mais vantajoso é estrategicamente.

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    Construir uma marca inspiradora, tornar suas vendas multicanais e entregar uma excepcional experiência do consumidor são os conselhos de Kyle Keogh, diretor de Tech, Telecom e Varejo do Google dos Estados Unidos. Os consumidores nunca estiveram tão online como hoje. Por isso, é preciso alcançar quem está procurando sua marca, reter os clientes que estão querendo te deixar, oferecer novidades úteis e construir formas específicas de relacionamento como aplicativos.

    Para Michael Hawley, diretor do MIT Media Lab, do Massachusetts Institute of Technology, inovação acontece em momentos complicados, quando as coisas estão ruim. Mas tecnologia tem de ser algo que facilite a vida das pessoas, que dê independência, que traga bons momentos às suas vidas e seja bonito de alguma maneira. Após analisar movimentos pioneiros na fotografia, na televisão e na música, Michael concluiu que as marcas fracassam quando elas perdem o contato com as suas origens, com o verdadeiro propósito e não abraçam ou anteveem as mudanças no momento certo. É exatamente onde estamos.

    Quer saber mais?

    Continue aqui com Think with Google Events 2015

    Foto: Luciana Aith