Com interesses que abrangem a saúde, a genética e as viagens privadas ao espaço, Esther Dyson é uma das principais eruditas, filantropistas e investidoras do mundo. Aqui, ela compartilha um pouco daquilo que está entre seus principais interesses no momento: dez tendências, ideias e projetos.

Escrito por
Esther Dyson
Publicado
Outubro 2012
Tópicos

Com o advento dos dados abertos (incluindo frequência e notas escolares, medidas de saúde, condições do tráfego e infraestrutura, uso de energia per capita e taxas de empregabilidade e criminalidade), tornou-se mais fácil do que nunca para uma comunidade quantificar-se, especialmente se uma agência de notícias local trabalhar junto aos cidadãos para coletar e analisar os dados.

As redes sociais on-line fornecem às pessoas um senso de dignidade que geralmente não têm em um governo autocrático. Nelas, os cidadãos podem ficar anônimos. No entanto, ao fazer parte de uma rede social (totalmente visível para seus amigos), você desenvolve uma identidade que não pode ser facilmente apagada e uma coragem acentuada pela visibilidade das outras pessoas que conhece.

Eu não dirijo, então, na área da baía, eu geralmente uso o sistema de metrô de São Francisco (BART) e o CalTrain. Porém, em minha última visita, uma sobrinha comentou sobre o ônibus nº 5. Ao conferir a informação em meu iPhone, descobri um mundo totalmente novo da malha do trânsito em massa que atravessa São Francisco, com atualizações em tempo real que fazem dela uma opção viável de locomoção. O que mais nossos celulares podem revelar se nos dermos ao trabalho de procurar?

Há três mercados da "saúde": o famoso mercado dos médicos, clínicas, remédios e seguros. Depois, temos o da "má" saúde: drogas recreacionais, cigarros, álcool, alimentos não saudáveis (em excesso). E, por fim, o mercado para a própria saúde, criado por novas ferramentas e dispositivos para automonitoramento, além de aplicativos sociais que usam a dinâmica dos jogos e outras informações psicossociais para estimular o comportamento saudável. A longo prazo, a maior parte dos custos provavelmente será gerada por empregadores ou pelo governo (por meio de impostos). Mas eu prefiro pagar para as pessoas ficarem saudáveis do que pagar pelos custos sociais da falta de saúde.

Um dos melhores livros que já li é "O paradoxo da escolha" de Barry Schwartz. Ele aponta o lado negativo emocional da liberdade. As pessoas sem opções de escolha sempre culpam os outros pela própria situação, enquanto aquelas que têm opções enfrentam a possibilidade do arrependimento. Ser livre não é apenas uma oportunidade, é também um desafio, e nem todos vivem bem com isso.

Em cem anos, há cerca de 50% de chance de ocorrer a colisão de um asteroide com a Terra, mais devastadora do que o evento de Tunguska que liberou uma energia de cerca de 700 bombas de Hiroshima, em 1908. Agora, é possível detectá-la com antecedência, mas não há orçamento para isso. E ainda que detectássemos um, os governos teriam que reunir os recursos rapidamente e mudar seu curso. É por isso que o ex-astronauta da Nasa, Ed Lu, criou a Fundação B612 (eu faço parte do círculo de fundadores). Pelo preço de uma ala de hospital de médio porte, lançaremos uma missão espacial para detectar e mapear um milhão de asteroides e, possivelmente, salvar a humanidade.

Apesar da supervalorização/medo da capacidade de os genes preverem o futuro, eles são simplesmente símbolos que indicam condições que você pode sofrer. As pessoas que tiverem seus genes sequenciados agora são considerados mais benfeitores do que beneficiários. No fim das contas, as probabilidades de todas as diferentes causas de morte ainda totalizam os 100% ou um pouco menos se você acredita em extensão da vida!

No mundo em desenvolvimento, os celulares são "bens de capital" (algo que é usado para fabricar um produto ou fornecer um serviço) que permitem que indivíduos transformem-se em produtores sem um empregador. Por exemplo, os agricultores podem obter as informações necessárias para comprar sementes e vender as colheitas a excelentes preços, já os jovens desempregados podem se tornar pesquisadores do mercado, definindo seus próprios trabalhos e, por fim, suas próprias vidas.

Enquanto os chineses dedicaram-se a um festival tecnológico visual coreografado rigorosamente com milhares de pessoas em perfeita sincronia, o britânico Danny Boyle criou uma incrível apresentação no estilo do jazz em que milhares de pessoas, a maioria voluntários, movimentavam-se livremente como indivíduos em harmonia auto-organizada, representando a história real do país de agentes livres criando bela arte, música e instituições duradouras.

Muitas das empresas iniciantes atualmente concentram-se na personalização e previsão. Quem faz isso deixa a desejar na produção de notícias empresariais reais em que um repórter inteligente capta um ângulo direcionado a uma comunidade específica? Em um de meus exemplos favoritos, o semanal Hotel/Motel cobriu o julgamento de OJ Simpson ao entrevistar o gerente do hotel onde o júri ficou confinado, oferecendo uma visão exclusiva de uma história bem-coberta.