A diretora de empreendedorismo global do Google, Mary Grove, interpreta o que a última pesquisa realmente diz sobre a contribuição da Internet para o crescimento da economia.

Escrito por
Mary Grove
Publicado
Outubro 2012
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No ano passado, visitei Cabul e Herat. Eu tinha curiosidade em saber como as pessoas em um país com pouco mais de 4% de penetração da Internet e acesso limitado a dados móveis interagiam com os produtos e a pesquisa do Google. Como o rádio é uma forma popular de comunicação em massa no Afeganistão, as pessoas ligam para um programa da rádio local chamado "Percipal" (busca e pesquisa) e fazem perguntas ao locutor. O locutor, que tem acesso à Internet, faz uma pesquisa no Google e depois lê a resposta no ar. A mensagem que eu levei para os Estados Unidos? A limitação leva à criatividade. As pessoas são sempre empreendedoras na busca por formas de se conectarem entre si para acessar informações.

Mais do que nunca, os empreendedores de todo mundo estão usando a tecnologia e a Internet para se conectar, criar e transformar suas comunidades e o mundo. Todos os dias, as pessoas melhoram a eficiência de suas empresas, encontram vizinhos com pensamento parecido para melhorar cidades e divulgam o último single de sua banda on-line.

Se a necessidade é a mãe da invenção, o estímulo é o pai, e há muitos elementos que fazem parte da criação das estruturas certas de estímulo para os empreendedores prosperarem. Entre eles estão o acesso a capital, um conjunto de talentos e uma rede de mentores que já alcançaram o sucesso e falharam, sem mencionar o comprometimento de legisladores e líderes para promover uma Web livre e aberta. Nos Estados Unidos, onde a Lei americana de criação de empregos toma providências para arrecadar fundos, vimos sites, como Indiegogo e Kickstarter, usarem a Web como uma plataforma de democratização para embasar boas ideias e permitir que empreendedores os financiem, levando a mais oportunidades e criação de empregos.

A Internet criou mais de 3,6 milhões de empregos somente nos EUA e impulsionou mais da economia do que a agricultura e a construção civil juntas. Um recente relatório da McKinsey revelou que, em países em desenvolvimento, a Internet contribuiu em média com 21% do crescimento do PIB entre 2004 e 2009. Em média, a Internet contribui com 3,4% do PIB das nações do G8, além do Brasil, da China, da Índia, da Coreia do Sul e da Suécia, um valor correspondente ao da Espanha ou do Canadá em termos de PIB e que está aumentando a uma taxa mais rápida do que a do Brasil.

A Internet criou mais de 3,6 milhões de empregos somente nos EUA enquanto impulsionou mais da economia do que a agricultura e a construção civil juntas.

Em países com rápido crescimento e aspirantes que apresentam equilíbrio para contribuir, como Marrocos, Turquia e Vietnã, a Internet já contribui em média com 1,9% do PIB – cerca de US$ 366 bilhões em 2010. A implicação é clara: uma Web livre e clara leva a mais desenvolvimento econômico e oportunidades em todo o mundo.

A Internet também oferece acesso a um público-alvo local e verdadeiramente global. Considere a Startup Weekend, uma organização que realiza eventos de 54 horas aos fins de semana em mais de 400 cidades de 70 países (o Google será o "patrocinador galáctico" da Startup Weekend pelos próximo dois anos). Há alguns meses, encontrei os fundadores da AfterShip, vencedora da "Batalha global da Startup", um confronto amigável entre 48 equipes vencedoras dos eventos da Startup Weekend que aconteceram em novembro de 2011.

Os quatro fundadores da AfterShip encontraram-se pela primeira vez na Startup Weekend Hong Kong. Eles formaram uma equipe para lançar um produto naquele fim de semana, prosseguiram, venceram a batalha global e lançaram seu serviço de acompanhamento de pacotes para o mundo, alguns meses depois. Trabalhamos com milhares de empreendedores como eles em nossos programas de empreendedores do Google, desde a Campus London até a Women Entrepreneurs on the Web, todos eles estão criando a próxima geração de empreendimentos digitais bem-sucedidos.

A Web também capacita as comunidades a gerar um valor extraordinário e, em alguns casos, a literalmente se colocarem no mapa. Durante nossa visita ao Afeganistão, vimos que não existiam mapas digitais abrangentes. Alguns meses depois, os jovens empreendedores que encontramos em Herat usaram o Google Map Maker, uma ferramenta que permite que as pessoas incluam suas comunidades no Google Maps em mais de 188 países em todo mundo, para mapear 11 regiões no Afeganistão, que estão no ar no Google Maps atualmente.

A possibilidade de inserir a cidade (rua ou empresa) de alguém no mapa é uma realidade hoje graças ao poder da Internet e das comunidades que ela capacita. Da mesma forma, no Paquistão, uma equipe de voluntários da comunidade local mapearam toda a região de Lahore em menos de 24 horas. A Great Trigonometric Survey (Grande projeto de pesquisa trigonométrica) da Índia levou 60 anos. Com o Map Maker, é possível fazer isso em dias.

Mas não devemos presumir que a natureza transformacional da Internet seja uma consequência inevitável da conexão de vários servidores e computadores. Em vez disso, seu modelo totalmente original, flexível e orientado para a comunidade permitiu que empreendedores, pesquisadores, artistas e todos nós vivêssemos novas experiências, repetíssemos essas experiências de forma rápida e barata e crescêssemos exponencialmente.