Luzes! Câmera! Dados! Como insights ajudam a 20th Century Fox a atingir o público certo

Por muito tempo, a indústria do entretenimento produziu e divulgou filmes usando só os instintos sobre o que o público gostaria de ver. Aqui na 20th Century Fox não foi diferente, mas vimos um enorme potencial em usar insights de dados no ramo do cinema.

O nosso problema não era ter poucos dados para começar esse processo: era ter zero dado. Não sabíamos quase nada do nosso público, mas tínhamos a noção de que, entendendo a sua complexidade, faríamos filmes com mais apelo. E qual seria o resultado disso? Mais gente feliz no cinema, mais ingressos vendidos e crescimento para o estúdio.

Passamos os últimos anos nos transformando de uma empresa de entretenimento tradicional em uma companhia data-driven, focada no público. Hoje conseguimos tomar decisões mais inteligentes sobre os filmes que criamos, as pessoas que queremos atingir e as experiências que entregamos. Aqui estão meus conselhos para outras empresas que também querem trilhar novos caminhos usando os dados

Quer um banco de dados? Saiba o que fazer com ele

Os dados revolucionaram o nosso ramo, mas não adianta só ter um monte de dados. Sozinhos, eles não ensinam como resolver problemas ou mudar o rumo da sua empresa. É preciso ter uma ideia de como usá-los.

Sozinhos, os dados não ensinam como resolver problemas ou mudar o rumo da sua empresa. É preciso ter uma ideia de como usá-los.

A nossa ideia era entender nossos espectadores. Para isso, tivemos de desenvolver nossas próprias ferramentas, como um banco de dados de clientes. Mas uma plataforma comum de gerenciamento de dados não seria suficiente, ela não nos daria o controle dos dados.

A gente não poderia, por exemplo, entender as nuances de como as pessoas pensam, se sentem e agem – e é isso que nos interessa de verdade. Você pode até economizar dinheiro agora com uma plataforma padrão, mas, de que adianta isso, se você não estiver de olho nas metas de longo prazo?

Sempre falo para as pessoas: cuidado para não confundir decisões tecnológicas com estratégia. Ter uma plataforma de gerenciamento de dados não é a mesma coisa que ter um plano. Quer meu conselho? Encontre uma visão que seja comum a todos – por exemplo, conhecer bem o cliente e crescer a partir disso – e use os dados para atingi-la. É isso que fazemos na Fox.

Cuidado para não confundir decisões tecnológicas com estratégia. Encontre uma visão comum a todos – e use os dados para atingi-la.

Essa filosofia também vale para ferramentas. Desenvolvemos as nossas usando o Google Cloud, e elas nos ajudam a decidir se devemos investir em um filme, quando seria a melhor época para o lançamento e como fazer a divulgação. Se olharmos bem, estamos só incluindo dados em processos que sempre existiram – e nos assegurando de que todas as decisões sejam certeiras.

Usar dados é uma decisão que vem de cima

Quando perguntam como viramos uma empresa data-driven, a primeira coisa que digo é: temos uma CEO, Stacey Snider, que sabe tudo do assunto. Sem alguém assim, você pode dar o escândalo que quiser, mas usar dados na sua empresa nunca será uma prioridade.

Tivemos muita sorte com Stacey, porque ela quis trazer uma sensibilidade de dados típica do Vale do Silício para a indústria cinematográfica. Ela passa um bom tempo conosco no laboratório de dados para tomarmos decisões data-driven junto da minha equipe.

Por causa da Stacey, não precisei perder muito tempo com processos e permissões para conseguir o apoio da empresa. E isso faz toda a diferença. A revolução tecnológica está aí, mas a revolução dos dados apenas começou. Ainda não sabemos bem o que podemos fazer com eles – especialmente em uma empresa de 80 anos, cheia de crenças e tradições. Se Stacey não estivesse à frente das decisões, esse processo teria morrido no meio da burocracia.

Faça os dados falarem a língua do seu mercado

Para se conectar com as pessoas, é crucial entender a língua, a moeda de troca e os sinais dentro do seu ramo. Na indústria cinematográfica, a língua são os títulos de filmes, e a moeda é a comparação entre eles.

Durante muito tempo, o instinto definiu a língua e a moeda da indústria. Embora o bom e velho sexto sentido ainda seja muito útil, meu trabalho é sustentá-lo com evidências sólidas. E aí sim, o conhecimento e o instinto podem mostrar seu valor.

Por exemplo, nosso filme Com Amor, Simon – o primeiro filme de um grande estúdio que mostra o romance de um adolescente gay – é uma produção infanto-juvenil que, para nós, faria sucesso com as “mães”. Mas, olhando os dados, vimos que esse público prefere filmes com uma censura mais restrita. Para elas, sexo e sexualidade são um conteúdo adulto, e sem esses dados, teríamos gasto uma fortuna divulgando o filme com o público errado.

Hoje, toda decisão que tomamos é data-driven. Gosto de dizer que ficamos inebriados com nossas ideias, filmes, diretores e estrelas – afinal de contas, somos gente. Mas os dados são nossa sobriedade: eles chegam para nos acordar quando fazemos escolhas ruins durante a bebedeira. Nossas decisões são melhores porque sabemos mais e adivinhamos menos. E é isso que eu chamo de brilhar no show business.

Sua estratégia digital é colocar o spot de TV na internet? É hora de rever isso.